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Eros Volúsia (Heros Volúsia Machado- 1914/ 2004) foi uma dançarina brasileira nascida no Rio de Janeiro, aluna de Maria Olenewa na Escola de Bailados do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, hoje Escola Estadual Maria Olenewa. Estreou no Teatro Municipal e pouco depois podia ser considerada a inventora da dança brasileira. As danças místicas dos terreiros, os rituais indígenas, o samba, o frevo, o maxixe, o maracatu e o caboclinho de Pernambuco foram algumas das fontes de pesquisa artística da bailarina. Em uma de suas inúmeras entrevistas dadas à Revista O Cruzeiro, Eros Volúsia sintetizou sua missão artística: "Dei ao Brasil o que o Brasil não tinha, a sua dança clássica!"

LUIZ GAMA

Para expandir o conhecimento aos leitores da nossa Revista Terreiro Contemporâneo,  que não têm acesso às informações das principais personalidades negras que muito contribuíram para a formação do povo brasileiro, nos campos: cultural, científico, jurídico, político, técnico, poético, literário, religioso, e de resistência, negadas que são pela história oficial. Publicaremos nessa e nas próximas edições, biografias de alguns personagens, que muito contribuíram  para nossa formação como povo, e que são perversamente negad@s  pelo sistema que nos impõem.
Luiz Gonzaga Pinto da Gama

      Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu na cidade de Salvador, Bahia, no dia 21 de junho de 1830, filho de Luíza Main, africana liberta, e de um fidalgo português cujo nome nunca fora revelado pelo filho, "para poupar  à sua infeliz memória uma dolorosa injúria". Segundo a história oral, Luiza Main, mais de uma vez, na Bahia, fora presa por suspeita de envolver-se em planos de insurreição de escravos, inclusive na Revolta dos Malês, ocorrida em 1835.  Em 1837, fugiu para o Rio de Janeiro, onde desapareceu.
     As insurreições baianas fizeram parte da vida de Luiz Gama, que passou sua infância num ambiente habitado por diversas etnias, todas, submetidas à experiência da escravidão.

Sua personalidade, de forte acento africano, toma forma e força naquelas circunstâncias onde a manutenção da religião e a criação de laços de solidariedade entre os escravos e os negros livres das diversas nações da África, eram os elementos ordenadores de convivência, destes,  na província baiana. Talvez venha daí o processo de valorização da identidade africana e da movimentação que, voltada por interesses comuns, culminava na explosão de rebeliões.

     Com apenas 10 anos, logo após o desaparecimento da sua mãe, Luiz Gama viveu a traumática experiência de ser vendido como escravo pelo próprio pai, a um traficante de escravos, para saldar dívidas de jogo.
Foi levado para o Rio de Janeiro e posteriormente para Santos, São Paulo, como posse de um negociante de escravos, que não encontra quem o compre, devido à fama de rebeldes que os escravos baianos tinham.
Trabalha como servo doméstico na casa do alferes Antônio Pereira Cardoso, onde conhece o estudante de direito Antônio Rodrigues do Prado Júnior, hóspede da casa, que lhe ensina a ler e escrever, e onde permaneceria até 1848, quando foge, de posse de documentos que lhe asseguravam a condição de homem livre.
Sentou praça na Polícia Militar durante seis anos e quando saiu, por insubordinação, foi trabalhar na Secretaria de  Polícia como amanuense e copista até ser afastado por força de perseguições racistas e políticas movidas pelos seus detratores que se encastelavam no Partido Conservador; que não toleravam suas inclinações liberais  e as suas atividades em favor dos negros escravizados e oprimidos. Em seguida foi trabalhar como bibliotecário na Faculdade de Direito de São Paulo. Na condição de funcionário público, era sempre convidado a compor o corpo de jurados do Tribunal do Júri. É nesse período  que estuda as leis e passa a atuar como rábula, chegando a libertar nos tribunais, mais de 500 cativos.

Joao Costa 

Glossário

Rábula: Advogado sem a formação acadêmica, advogado prático.
Amanuense: Funcionário público de funções modestas que fazia as correspondências.
Copista: Que copiava ou registrava documentos.
Malês - Muçulmanos brasileiros de origem africana.

Referências bibliográficas:

Oliveira, Eduardo - Quem é Quem na Negritude Brasileira – Fundação Cultural Palmares - 1998

Daniel, Néia - Memória da Negritude - Fundação Cultural Palmares - 1994
Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda - Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Nova Fronteira - 1986
Nascimento, Elisa Larkin - Dois Negros Libertários - IPEAFRO – 1985


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